Wilson Pinheiro

“Precisamente, o início da noite do dia 21 do mês de julho de 1980. Tudo era modesto na cidade de pouco mais de três mil habitantes (…)”. Assim o pesquisador Francisco de Moura Pinheiro descreve o momento em que os quatro tiros disparados contra o sindicalista Wilson Pinheiro irromperam na silenciosa Brasiléia. A vítima: “um homem alto, pele queimada pelo sol, mãos calejadas pelo ofício de seringueiro desde os primeiros anos de vida, apreciador de cigarros fortes, incansável na sua faina”. O jeito manso, de poucas palavras, continha o poder de ação que fez história no movimento pelo direito à terra do povo acreano. (…) Como tantos outros moradores da região, WIlson Pinheiro estava jurado de morte por latifundiários (…). Mas “Wilsão” decerto sentia-se seguro na sede de sua resistência, o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia no qual ocupava o cargo de presidente em seu segundo mandato. (…) Ali ele se encontrava quando três homens chegaram atirando contra os membros da diretoria sindical, acertando Wilson pelas costas, na nuca. (…) O assassinato de Wilson Pinheiro gerou imediata onda de protestos. (…) “Mataram o nosso presidente, mas não vão matar a nossa união”, diziam as faixas que acompanharam o cortejo fúnebre.

Fonte: CARNEIRO, A.; CIOCCARI, M. Retrato da Repressão Política no Campo– Brasil 1962-1985 – Camponeses Torturados, Mortos e Desaparecidos. Brasília, MDA, SDH/PR, 2011, p. 287.

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STR Brasileia/AC, onde Wilson foi assassinado

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